Maria Duarte, de 43 anos, mora no distrito de Engenheiro Pedreira, em Japeri. Há duas semanas, foi a uma festa em Tinguá, Nova Iguaçu, e posou para várias fotos ao lado da filha Vitória Maria, de 3 anos. A câmera digital era de uma amiga, que prometeu mandar cópias das fotografias para a sua casa, mas esqueceu. Maria não tem telefone, mas, com o e-mail da colega anotado em uma folha de caderno, ela foi a uma lan house e enviou uma mensagem, via internet, para lembrar sobre o favor prometido.

A rotina descrita acima está se tornando cada vez mais comum na. Nos arredores das periferias há cerca de dez lan houses, abertas apenas nos últimos meses. Na média, é uma inauguração a cada 45 dias.

As iniciativas públicas não conseguem acompanhar o crescimento do interesse da população pela internet. Por isso, as lans se tornaram as principais responsáveis por conectar a população de baixa renda. A diversão dos moradores está limitada às festas e às lan houses.  Em pouco mais de dois quilômetros, os moradores podem escolher locais de acesso à rede, por um preço que vai de R$ 1 a R$ 2 por hora.

- Também estamos usando a internet para encontrar parentes do meu marido que são do Paraná – disse a dona de casa.

Os computadores são disputados na lans, principalmente, por crianças e jovens, que preferem sites de relacionamento, vídeos e jogos como “The Duel” e “Mu Invasion” – as maiores sensações das lan houses na atualidade. Leonardo Pereira, de 12 anos, é fã desses games.

- A gente cria os personagens e precisa cumprir o objetivo passado pelo computador. No caminho, pegamos energia e ficamos mais poderosos. É muito legal porque jogamos até com pessoas de outros países – explicou o estudante.

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Um comentário em “O poder das lan houses no país”

  1. Francisco de Assis de Lima Filho disse:

    Parabéns, precisamos expor essa nova ordem da periferia da rerganização social que está acontecendo no Brasil.

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